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Sábado, 12 de Julho de 2014

Só naquela...

OU "Como fazer um professor ter vontade de se tornar (mais) um parasita e limitar-se a receber o ordenado sem se chatear muito com a coisa".

 

Ao longo deste ano letivo, fui diretora de turma de um 6º ano.

Nesse turma, tinha uma aluna, repetente por exclusão de faltas.

A aluna continuou este ano a chegar atrasada às primeiras aulas da manhã.

Enviei as faltas para casa. Mandei recados pela caderneta. Convoquei a mãe para ir à escola. Nunca vi a senhora.

Diz A LEI (aquela que sai no Diário da República) que, quando os alunos ultrapassam o limite de faltas permitido por lei, devem ser sujeitos a medidas de recuperação pelo excesso de faltas. Diz A LEI que essas medidas têm que ser autorizadas pelo Encarregado de Educação e, caso não sejam autorizadas ou não sejam cumpridas dentro do prazo estipulado, o aluno com excesso de faltas está excluído por esse motivo. A LEI diz ainda que, caso o aluno cumpra as respetivas medidas mas volte a faltar de forma injustificada, também ficará excluído por faltas.

Ora, a menina não entregou as medidas de recuperação. Nem no prazo estipulado nem nunca, apesar de se terem aberto inúmeras exceções para que tal acontecesse. Como a menina tinha aproveitamento, um elemento da direção e uma das professoras da turma fizeram de tudo para que ela entregasse as medidas. Neste de tudo inclui-se: compra de cadernos para a aluna passar e apresentar (a medida de recuperação a várias disciplinas era a apresentação do caderno, em dia), impressão dos sumários de disciplinas para a aluna passar para o caderno, passar o intervalo na sala, com a aluna enquanto ela passava os cadernos. Foram inúmeras as conversas que tive com ela, explicando as consequências, dando estratégias, tentando orientar o trabalho e, só faltando pedir por amor da santa, para entregar o raistaparta das medidas de recuperação.

Ate ao dia em que tive que preparar a reunião de avaliação do 3º período, a aluna não entregou nada e, o mais surreal de tudo isto é que, a aluna marcava a entrega dos trabalhos, não entregava, chegava à minha aula sem equipamento (na maioria das vezes) e sentava-se a assistir, sem me dirigir uma única palavra de justificação fosse do que fosse. Muitas vezes, se chamada a atenção ainda respondia mal ou comportava-se como se a estivesse a aborrecer com a minha conversa.

No final do ano letivo, e de forma a abreviar este post, posso dizer que a ata da minha reunião teve umas 8 páginas, de modo a fundamentar muito bem o porquê de uma aluna com aproveitamento (inclusivé níveis 4 e níveis 5) foi excluída por faltas. Confesso que a pressão por parte de alguns colegas meus para que a aluna passasse foi bastante stressante. Mantive-me coerente e fiel aos meus princípios de professora e educadora e, depois de fundamentar exaustivamente a situação (sendo a situação o cumprimento DA LEI), a aluna foi excluída por faltas após uma votação em conselho de turma com 2 votos de diferença. 

Sempre acreditei que, tendo a aluna aproveitamento, restar-lhe-ia a hipótese de concluir o 6º ano necessitando para isso de se inscrever nso exames de equivalência à frequência.

Numa das aulas de Formação para a Cidadania, estive 45 minutos a passar para o quadro as datas dos exames e a LER os procedimentos que teriam que se realizar para que os alunos se inscrevessem nos exames, nomeadamente o facto de terem apenas 48h para se inscrever nos mesmos, depois da saída das pautas e da confirmação que estavam retidos ou excluídos por faltas. Claro está que, tratando-se de alunos ainda jovens, é importante que os pais tb tomem conhecimento destas medidas mas, na reunião onde disponibilizei essas informações, dos 20 pais da turma compareceram 3 (e a mãe da moça não foi uma delas).

Eis senão quando, há cerca de 2 semanas encontro a aluna na escola, lavada em lágrimas porque, depois de ter espalhado aos 4 ventos que não tinha entregue as medidas de recuperação porque ía fazer o 6º ano nos exames, deixou passar o prazo de inscrição para os mesmos. Já tinha passado mais de 1 semana do prazo de inscrição e, SUPOSTAMENTE, não havia mais nada a fazer. E eis que, depois de estar ali à conversa com ela, chamando a atenção para o fato de aquilo ser um reflexo do que tinha acontecido durante o ano todo, espelhando a sua falta de interesse nas coisas e falta de responsabilidade, dou conta que um dos elementos da direção diz à aluna que, caso a mãe viesse à escola falar com o diretor ainda poderia haver uma hipótese. O meu queixo caiu, afastei-me suavemente e enchi o peito de ar ao mesmo tempo k colocava o capacete na cabeça para não ser possível lerem nos meus lábios o chorrilho de palavras doces que os mesmos soltavam.

E pois que sou infomada que a aluna foi admitida a exames de equivalência à frequência do 6º ano.

Ontem foi o exame de Educação Física. Era um exame teórico-prático em que, nos primeiros 45 minutos a aluna responderia a questões teóricas num exame escrito, seguido de 45 minutos de avaliações práticas de desportos coletivos, ginástica e atletismo. 

Era a única aluna a fazer exame e para isso, propositadamente, estavam na escola de serviço 8 professores: 2 elementos do secretariado, 2 professores vigilantes, 2 professores suplentes e 2 professores coadjuvantes.

Deposi dos 45 minutos do exame teórico a aluna comparece no pavilhão gimnodesportivo sem qualquer equipamento desportivo para realizar o exame. Ainda foi sugerido pelo secretariado que os professores coadjuvantes aguardassem, enquanto a menina ligava à mãe para lhe ir levar o material. Eu até fiquei caladinha para não ser acusada de tendenciosa e deixei a minha colega explicar porque é que não iríamos fazer isso, principalmente sem um lubrificante adequado.

E foi isto... e é este o ensino português. Eu ainda irei ver o dia em que, se eles conseguirem assinar o nome dando menos que 3 erros ortográficos e, se souberem ligar e desligar uma máquina de calcular, é-lhes dada a equivalência ao 12º ano. 

E são coisas como as que aqui relatei que fazem os professores perder a motivação e o interesse seja no que for.

Ainda gosto de ser professora mas são raras as vezes que me sinto como tal. Na maioria das vezes sinto-me um instrumento executor de burocracias e mesmo quando assim é, a parte educativa e formativa é muitas vezes negligenciada por outros dando vontade de "para o ano limito-me a aparecer na escola e a fazer o que quiserem que eu faça" (que basicamente é passar os meninos todos e não levantar muitas ondas).

É assim, que se chega ao mês de Julho e o cérebro parece uma papa cerelac. É assim que se sai do trabalho com raiva e vontade de chorar porque me sinto uma palhaça aos olhos de quem me devia ouvir e respeitar.

 

PS - Este vai mesmo sem imagem que é para enfatizar bem a chatice que é ler uma coisa destas e não ter uma coisa para, pelo menos, aliviar as vistas.

Estrunfina às 09:28
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Aldeia dos Estrunfes

O Divino em MIM

 

A MINHA FILHA.  O calor do sol a keimar o corpo num dia de praia. Um mergulho de mar ao luar.  Os sorrisos.  Morangoska granizada. Akela música, no momento certo.  Andar descalça sobre a relva.  O cheiro da terra molhada.  Dream Team Forever Marés vivas num dia de Inverno.  O nascer de um novo dia.   Akele olhar.  Chamusca.  Pego Escuro. Correr na praia e espantar as gaivotas.  Um sussurro k faz bater forte o coração.  O suspiro da minha filha kdo dorme.  A saudade. Gargalhadas.  A gargalhada dela.  Licores.  Avistar Lisboa da Ponte 25 de Abril.  Gelado de Dolce de Leche.  Os ABRAÇOS k transbordam a alma.  O microfone. Quando os meus alunos "Conseguem".  Andar de mão dada. Cócegas.  "AMO-TE".  Petiscadas.  A atracção.  Ilha deserta.  Sentir a minha filha dentro de mim.  Dançar.  Pasteis de Nata.  O carinho de ex-alunos. O silêncio.  O céu estrelado de uma noite quente no Alentejo.  As minis à varanda, a ver o mar. DREAM TEAM FOREVER.  O carinho da família.  Banho de mar "em pêlo".  As bolachas da mana.  A fogueira da Praia Verde.  Ver a minha filha aprender algo novo. Porto Novo.  Rir até chorar. Serra de Sintra.  Os primeiros passinhos.  Ver raios de sol "furarem" o céu nublado.  AMIG@S.  Ouvir o bater do coração.  Olhar nos olhos.  Vimeiro.  Uma massagem.  Cheirinho a casa limpa.  Golo de Portugal. O Guadiana.  Orgasmo.  Ver o pôr-do-sol sabendo k ele nasce noutro sítio ao mesmo tempo.  Amamentar.  O céu azul.  Noite quente à beira Tejo.  Papoilas.  Cheiro a maresia.  Sardinhas assadas.  Alcançar.  O brilho do sol reflectido na água.  Gaivotas.  Fazer amor na praia.  O cheirinho k fica na roupa dela .  Acordar.  Fazer "Koys" enroscadinha a ela debaixo do edredon.  Cataplana de Lagosta.  A minha filha bébé adormecer sobre o meu peito enkto mexia na mha orelha.  Lua Cheia.  Panquecas às 3 da manhã.  O Cristo Rei.  O cheiro da pele depois de fazer amor.  A casca do pessego.  A "minha" estrela.  O toke. Pistacios.  Correr com ela na praia.  As boas conversas.  Girassóis.  Concertos dos Bon Jovi. Chorar até tirar o peso do peito.  Cantar.  Coca-cola.  Rezar.  Guincho. Todas as "Good Nights".  Margarita de morango a meio da tarde na esplanada do Siesta.  Frio na barriga. Orgulho.   Dormir numa cama feita de lavado.  Beijo com língua.  Golo do Benfica.  Uma garrafa de Grandjó geladinha.  A primavera no Alentejo.  Lareira.  Póvoa Dão.  Voar.  A carta certa num jogo de Poker.  Jantar à luz das velas.  Caracóis.  Ganhar no último minuto.  Uma viola, uns acordes e amigos. Beijos no pescoço.  O 1º "Mamã".  Ver a balança a baixar.  Um cigarro ao luar.  Cheirar protector solar no Inverno.  Bolas de sabão. Fazer mergulho.  Trovoada de Verão numa noite à beira mar.  O 1º beijo.  Banho de espuma e pétalas, música certa e luz de velas. Dormir a sesta.  Lisboa à noite vista do ar.  Ramos de rosas.  Ferreira.  O sabor da água salgada na pele.  Ouvi.la cantar a plenos pulmões quando vai à pendura na mota. O vôo da cegonha.  Os jogos em "Miami Beach".  APRENDER.

 

 

 

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