Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

E do nada realiza-se o sonho de uma vida

Existem várias fases/eventos/períodos/ acontecimentos marcantes na minha vida.

Eu ter jogado voleibol não tenho dúvidas nenhumas que foi um deles.

Quando fui para o 5º ano comecei a perceber que era boa (vamos considerar boa a gaja que se destaca das outras miudas todas a léguas e deixa muitos rapazes no patamar debaixo) à maioria dos desportos com que fui tomando contacto quando comecei a ter Educação Física na escola.

Desde o instante em que comecei a ter EF que comecei a perceber que a escola até tinha algum sentido para além dos objetivos que eu tinha definidos inicialmente e que eram, fundamentalmente, conseguir ler as legendas quando via o Bonanza, os 3 Duques e o Barco do Amor e conseguir fazer as contas para saber quanto custa e quanto tenho a receber de troco nas lojas.

Anyway... 1º ano um arraso a EF. No futebol eu já sabia que era "muita boa" porque kdo fazíamos equipas aqui na rua eu era das 1as a ser escolhida mas nunca tinha experimentado outras atividades.

Ainda me lembro do prof de 5º ano, novo, loirinho,  forte e com bigode -o típico bonacheirão mas em "senhor" de vinte e tal anos. Acho que era um bom professor. Pelo menos ensinou-me muitas coisas  e não se limitou a dar-nos uma bola de futebol e deixar-nos jogar. Lembro-me até que fizémos testes escritos (coisa que ainda hj há muitos que não fazem).

Terminado o 6º ano e depois de uma lesão grave na coluna, durante um salto mal dado no mini-trampolim, que me borrou toda e me fez ver que já chegava de brincar à Ginástica e à Dança Jazz, até pk havia mtas outras áreas onde eu me destacava bem mais, foi altura de decidir o que queria fazer.

Sei qualquer opinião de terceiros, incluindo aí os meus pais, decidi que ía prestar provas de Voleibol no Benfica. Na época era o k se ouvia falar, principalmente no futebol. Havia uma altura, em Setembro, em que vinham putos de todo o país, fazer os treinos de captação ao Benfica. E aquilo era uma espécie de eliminatórias dos Ídolos onde só os melhores dos melhores se aguentavam até ao fim. Achei que era assim para todas as modalidades.

A escolha da modalidade foi difícil. Mas estava reduzida a 3: futebol, basquetebol e voleibol. Como estudava em Benfica e, sendo benfiquista desde pequenina, se era para começar uma coisa a sério, fez sentido que o tentasse no maior clube do Mundo. Futebol feminino...n havia. Basquetebol... era para as miudas mais altas e nessa altura eu já sabia que não era das mais altas. Voleibol... não fazia a mínima ideia como eram os jogadores de voleibol e acho mesmo que nunca na vida tinha visto um jogo. Acho que por isso foi a modalidade eleita.

Não me recordo bem dos procedimentos mas acho que me meti no autocarro, mudei na Pedro de Santarém, apanhei o 50 e fui ao velhinho estádio da Luz à procura da secção de voleibol onde recebi a informação de onde e quando seríam os primeiros treinos (de captação, achava eu).

Lembro-me de, na semana dos treinos, estar aqui em baixo no patamar do prédio a treinar passes contra a parede com uma bola de futebol pk, como é lógico, ninguém tinha bolas de outras modalidades, naquela altura.

Lembro-me ainda de dizer à boca cheia, aos meus amigos aqui da rua, que ía prestar provas ao benfica. Lembro-me perfeitamente que, na véspera do dia D, mandei um tralho da bicicleta e assassinei-me toda ficando com os braços, mãos e joelhos completamente esfolados.

No dia lá fui eu. Os meus calçoes e a minha roupa era diferentes da das outras miudas k já lá andavam antes. Elas estavam com umas almofadas nos tornozelos, k depois colocaram nos joelhos e k dps aprendi k se chamavam joelheiras e k eram a primeira compra a fazer caso eu fosse selecionada.

O treino terminou. O treinador marcou o próximo treino e despediu-se com uma espécie de até lá.

Uauuuuu...eu tinha ficado. Vendo bem tinhamos ficado todas. Até as miudas que eu tinha achado mais toscas.

Era uma altura em que as modalidades não se pagavam e nós recebíamos depois um cartão do Benfica com a nossa fotografia que dizia: sócia atleta. Uauuuu... atleta!!!

O resto da história ja aqui mencionei diversas vezes: fiquei por lá dos 12 (2º ano de iniciada) até aos 18 (2º ano de junior) altura em que extnguiram a maioria das modalidades amadoras. Depois ainda joguei 1 ano numa equipa que fizeram nova para aproveitar a malta que ficou sem clube quando o Benfica se extinguiu, e que representava o Externato Maristas de Lisboa. Depois veio a vida mais adulta. O namorado, a faculdade e foi altura de sair.

Não sei porquê não me lembro de sair. Não tenho memória de despedidas. Não tenho memória do último treino. Nada... apenas um branco. Nunca mais voltei para ver um jogo das minhas ex-colegas e AMIGAS. Apenas um branco na minha memória, um vazio.

Mas a jogar voleibol me criei. Fiz amigas que hoje sei que ficaram para a vida toda e que são hoje um pilar essencial da minha existência, tive um outro pai que me ensinou tanto ou mais que o meu pai de verdade, ganhei valores e princípios valiosíssimos e essenciais que definem a pessoa que sou hoje.

Naquela altura pensei muito no quanto gostaria que, um dia, um filho meu jogasse voleibol ou mm k fosse basquetebol ou outro desporto de equipa (menos futebol k os putos do futebol são apanhados do clima e treinam sempre a achar que vão ser os próximos Cristiano Ronaldo e isso faz com k o espírito seja completamente diferente do que nas outras modalidades).

Quando a minha filha nasceu, quer eu quer o pai sempre defendemos que ela devia praticar, pelo menos, uma atividade desportiva. Desde que foi para o colégio onde hoje está, tinha na altura 4 anos ela já fez Ginástica, Ballet, Judo, Equitação, Basquetebol e Natação.

A natação tem sido sempre uma atividade que ela tem acumulado com outra. A natação foi assim uam espécie de necessidade inicial de ter um desporto mais completo em termos de desenvolvimento motor saudável com a importância de saber nadar bem e deixar-nos mais tranquilos na praia e nas piscinas. No entanto sempre percebemos que não era uma coisa que ela gostasse mesmo! Este ano até, já foi mais por imposição do pai do que por outra coisa. 

O que ela gostou mais até agora foi mesmo a equitação claro está mas, sendo uma atividade mais dispendiosa e estando já o treinador a elogiar as capacidades dela e a querer que ela começasse a treinar para competição, achámos por bem cortar as coisas por ali pk, n só em termos financeiros seria algo insustentável a curto prazo como tb se tornaria completamente impossível a médio e longo prazo. Foi uma heroína na altura e encaixou o golpe duro como uma menina crescida, com compreensão e entendimento apesar da tristeza que sentiu de deixar de ter as aulas que tanto gostava.

Este ano começou a falar-me do ténis... encolhi os ombros. Nesta fase da mha vida tenho apenas 2 condições: não tenho disponibilidade financeira para pagar 2 atividades e não quero obrigações aos fds. Os fds são meus.

Há cerca de 3 semanas veio da escola com um papel p ir treinar voleibol para a lusófona. Voleibol?!?!?!?!? Donde raio veio isso????

Estava lá na escola, mãe. Por favoooooorrrrrrrrrrrr!!! A MR tb vai. Por favor!!!  Depois de analisarmos a coisa, os horários eram insustentáveis para nós. Os treinos eram no Campo Grande... Desculpa, D*** não vai dar mesmo. Chorou. Whatafuck?!?!? Tá a chorar pk n vai p o volei??? Conversa...blablabla... e achei k a coisa ficava por ali. Até pk achei k era mais uma cena de ir com as amigas do k outra coisa.

Dias depois, ao tlf diz-me com muito jeitinho: Oh mãe, eu sei k n dá p ir p akele volei mas, achas k podes ver se arranjas outro mais barato e mais perto???

Uauuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!! Ela ker mesmo ir experimentar o volei!!! Really?!?!?!?!?

Escusado será dizer que, o primeiro sítio que pesquisei foi o Benfica. Descobri que tenho colegas lá envolvidos nos escalões de formação, liguei, descobri que os treinos eram compatíveis, descobri que a mensalidade é menor que na Lusófona e.... e... era ela a ir jogar volei ao Benfica.

Não lhe contámos nada. Na manhã do dia do treino, fui acorda-la e disse que tinha uma coisa importante para lhe dizer. Meio estremenhada abriu os olhos o máximo que conseguiu e disse: Diz!

Filha, hoje vais ter o teu primeiro treino de volei no Benfica.

E aquele abraço apertadíssimo e demorado não precisava de nenhuma palavra a acompanhar.

E ela foi. Menos azelha que a mãe quando foi ao 1º treino mas mto desejosa de mostrar serviço. E acabou o treino de sorriso no rosto. E ficou ansiosa pelo treino do dia seguinte.

E eu caladinha mas a fazer Harlem Shakes por dentro.

Quando a treinadora lhe perguntou pk se tinha interessado pelo voleibol, respondeu que a mãe tinha lá jogado e ela costumava ver a mãe e as amigas a jogarem ao fds e achou que podia ser giro experimentar.

E eu sei que a mha boca nunca se abriu para a fazer pensar em nada. E eu sei k partiu dela. E ela tanto pode treinar mais 2 semanas como 10 anos mas terei para sempre a memória descer a rampa para levar a MINHA FILHA AO TREINO DE VOLEI NO ESTÁDIO DA LUZ e de ela me dizer: "Pena já não ser o Xico a dar os treinos!"


E terei sempre esta

 

Estrunfina às 09:26
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Aldeia dos Estrunfes

O Divino em MIM

 

A MINHA FILHA.  O calor do sol a keimar o corpo num dia de praia. Um mergulho de mar ao luar.  Os sorrisos.  Morangoska granizada. Akela música, no momento certo.  Andar descalça sobre a relva.  O cheiro da terra molhada.  Dream Team Forever Marés vivas num dia de Inverno.  O nascer de um novo dia.   Akele olhar.  Chamusca.  Pego Escuro. Correr na praia e espantar as gaivotas.  Um sussurro k faz bater forte o coração.  O suspiro da minha filha kdo dorme.  A saudade. Gargalhadas.  A gargalhada dela.  Licores.  Avistar Lisboa da Ponte 25 de Abril.  Gelado de Dolce de Leche.  Os ABRAÇOS k transbordam a alma.  O microfone. Quando os meus alunos "Conseguem".  Andar de mão dada. Cócegas.  "AMO-TE".  Petiscadas.  A atracção.  Ilha deserta.  Sentir a minha filha dentro de mim.  Dançar.  Pasteis de Nata.  O carinho de ex-alunos. O silêncio.  O céu estrelado de uma noite quente no Alentejo.  As minis à varanda, a ver o mar. DREAM TEAM FOREVER.  O carinho da família.  Banho de mar "em pêlo".  As bolachas da mana.  A fogueira da Praia Verde.  Ver a minha filha aprender algo novo. Porto Novo.  Rir até chorar. Serra de Sintra.  Os primeiros passinhos.  Ver raios de sol "furarem" o céu nublado.  AMIG@S.  Ouvir o bater do coração.  Olhar nos olhos.  Vimeiro.  Uma massagem.  Cheirinho a casa limpa.  Golo de Portugal. O Guadiana.  Orgasmo.  Ver o pôr-do-sol sabendo k ele nasce noutro sítio ao mesmo tempo.  Amamentar.  O céu azul.  Noite quente à beira Tejo.  Papoilas.  Cheiro a maresia.  Sardinhas assadas.  Alcançar.  O brilho do sol reflectido na água.  Gaivotas.  Fazer amor na praia.  O cheirinho k fica na roupa dela .  Acordar.  Fazer "Koys" enroscadinha a ela debaixo do edredon.  Cataplana de Lagosta.  A minha filha bébé adormecer sobre o meu peito enkto mexia na mha orelha.  Lua Cheia.  Panquecas às 3 da manhã.  O Cristo Rei.  O cheiro da pele depois de fazer amor.  A casca do pessego.  A "minha" estrela.  O toke. Pistacios.  Correr com ela na praia.  As boas conversas.  Girassóis.  Concertos dos Bon Jovi. Chorar até tirar o peso do peito.  Cantar.  Coca-cola.  Rezar.  Guincho. Todas as "Good Nights".  Margarita de morango a meio da tarde na esplanada do Siesta.  Frio na barriga. Orgulho.   Dormir numa cama feita de lavado.  Beijo com língua.  Golo do Benfica.  Uma garrafa de Grandjó geladinha.  A primavera no Alentejo.  Lareira.  Póvoa Dão.  Voar.  A carta certa num jogo de Poker.  Jantar à luz das velas.  Caracóis.  Ganhar no último minuto.  Uma viola, uns acordes e amigos. Beijos no pescoço.  O 1º "Mamã".  Ver a balança a baixar.  Um cigarro ao luar.  Cheirar protector solar no Inverno.  Bolas de sabão. Fazer mergulho.  Trovoada de Verão numa noite à beira mar.  O 1º beijo.  Banho de espuma e pétalas, música certa e luz de velas. Dormir a sesta.  Lisboa à noite vista do ar.  Ramos de rosas.  Ferreira.  O sabor da água salgada na pele.  Ouvi.la cantar a plenos pulmões quando vai à pendura na mota. O vôo da cegonha.  Os jogos em "Miami Beach".  APRENDER.

 

 

 

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