Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

DESABAFO...

...Para que o comum dos mortais tenha uma pequenina ideia do que se passa na escola atual
Vamos chamar-lhe Cajó mas poderia ser Fanã, Tó, Zé, Manel ou o que quisermos.
O Cajó tem 14 anos e está no 6º ano. Apesar de ter começado muito bem o ano letivo, a meio do 1º Período começou a faltar desmesuradamente porque preferia ficar a jogar à bola ou a fazer outras coisas do que ir às aulas. 
NO início do 2ºPeríodo, aplicaram-se as medidas corretivas, previstas na lei nos casos de excesso de faltas. O aluno cumpriu mas caso faltasse mais, ficaria em situação de retenção por faltas no 6º ano. Como, para além das faltas por ausência o aluno tinha dezenas de participações disciplinares porque, quando vai às aulas não faz nada e perturba o funcionamento das mesmas de forma a boicotá-las e não deixar que os colegas aprendam, a coisa não demorou a que o aluno ficasse em situação de retenção.
Pelo meio, ficou também a denúncia da situação à Comissão de Proteção de Menores que reuniu com o aluno e com os encarregados de educação. Nessa reunião, o aluno foi informado que teria que alterar o seu comportamento ou seria presente ao juíz. Desde essa reunião (16 de Abril) e até ontem (9 de Maio) dia em que assinámos um contrato de compromisso oficial (Escola, Encarregados de Educação, Comissão de Proteção de Menores e Aluno) o aluno acumulou mais de 30 faltas e foi "apanhado" com uma raquete furtada da arrecadação do grupo de Educação Física. Mesmo assim, a Diretora de Turma veio à escola, fora do seu horário de trabalho para assinar o documento.
Pois que hoje, a diretora de turma recebe das mãos de um elemento da direção da escola um documento que propõe a integração do "Cajó" numa turma de CEF (Curso de Educação e Formação) tipo 2. Para os leigos, informo que esta é uma turma de 8º ano. SIM 8º ANO. Assim sendo, o Cajó que está reprovado no 6º ano porque se esteve pouco marimbando para a escola receberá como consequência das suas ações uma passagem direta para o 8º ano.
Multipliquemos agora a situação do Cajó por 3 ou 4 alunos da mesma turma e digam com que cara é que um professor deve incutir os valores do trabalho, do empenho, da dedicação e do esforço.
Confesso-vos... é um sentimento de profunda desolação... PROFUNDA DESOLAÇÃO!

Estrunfina às 12:31
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2 comentários:
De Ana a 14 de Maio de 2013 às 11:29
Bom dia, sigo-a já à muitos anos, por outros blogs inclusive e, temos até amigos em comum... e até ao dia de hoje nunca comentei...
hoje, porque o assunto provoca-me a revolta de todas as minhas entranhas, não vou resistir.
Eu dou aulas a adultos, em formação certificada, mas fora da escola dita normal... vou apanhar pessoas das mais variadas proveniências, normalmente rapazes novos, e com a escolaridade dita obrigatória...
normalmente, na faixa dos 18 aos 28, isso significa uma maioria de analfabetos funcionais...
incapazes de fazer uma conta de somar ou subtrair sem ser na calculadora (nem vou mencionar multiplicar e dividir...), incapazes de ler um texto ou uma pergunta e compreender o que é pedido...
melhor, fazem uma conta de subtrair, na dita calculadora, têm um resultado maior que o inicial e aceitam-no como resposta...
a mim, assusta-me o futuro, esta incapacidade funcional crónica, que passou de defeito a feitio e ninguém questiona... já é normal...
esta desresponsabilização que começa com os pais em casa, a não imporem regras e a desculpar os meninos de tudo e mais alguma coisa...
preocupa-me que tudo isto seja institucionalizado, e que os professores que ainda marcam a diferença, acabem por ser afastados, porque não se conformam com o formato imposto...
este é talvez o jogo mais perigoso de sempre... e parece que ninguém tem consciência do perigo...
ao formarmos uma sociedade coxa e corcunda, destruímos pela base o futuro...
quando o medíocre passa de excepção a regra, retrocedemos como sociedade e também como pessoas, falhamos na nossa capacidade de formar a geração seguinte...
eu, como muitas das pessoas que me rodeiam (considero-me uma sortuda nesse aspecto), esforçamo-nos por mudar as coisas, começando pelos que nos estão próximos e continuando com todos os que têm o "azar" de cruzar o nosso caminho...
mas tenho/temos dias difíceis...
portanto compreendo-a perfeitamente...
e lamento, acima de tudo, o presente envenenado do "Cajó", que há-de "terminar o 9º ano", analfabeto, pouco ou nada funcional, e que seguirá a vida com "2 pernas partidas", lesão de que não deve recuperar... mas que, para o sistema, contará como estatística, e pior, como "problema resolvido" para a escola.
um bem haja, e tente não desistir...
aparentemente somos uma raça à beira da extinção!!!!


De Estrunfina a 14 de Maio de 2013 às 14:23
Olá Ana:
Em primeiro lugar deixe-me dizer que a frase "sigo-a já há muitos anos" é algo que me causa uma estranheza imensa e me deixa assim com um sorriso de quem não consegue imaginar k tal coisa seja possível. Obrigada!!
Quanto ao resto, confesso-lhe que 13 anos no ensino começam a causar mossa e começo a sentir-me numa onda de "se n os podes vencer, junta-te a eles".
Quero acreditar com mta força que as escolas e comunidades onde leciono não podem espelhar o global e que estou a trabalhar com o refugo dos refugos da sociedade. Quero acreditar que noutras escolas, os valores não estão completamente invertidos e que o trabalho e mérito são reconhecidos e, principalmente, EXIGIDOS.
Mas, confesso: estou extenuada de lutar contra a maré e só tenho vontade de me deixar ir na corrente.
Vou tentar agarrar-me à ideia k é apenas uma fase, e k, no próximo ano voltarei a ter força p me agarrar às mhas convicções.


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Aldeia dos Estrunfes

O Divino em MIM

 

A MINHA FILHA.  O calor do sol a keimar o corpo num dia de praia. Um mergulho de mar ao luar.  Os sorrisos.  Morangoska granizada. Akela música, no momento certo.  Andar descalça sobre a relva.  O cheiro da terra molhada.  Dream Team Forever Marés vivas num dia de Inverno.  O nascer de um novo dia.   Akele olhar.  Chamusca.  Pego Escuro. Correr na praia e espantar as gaivotas.  Um sussurro k faz bater forte o coração.  O suspiro da minha filha kdo dorme.  A saudade. Gargalhadas.  A gargalhada dela.  Licores.  Avistar Lisboa da Ponte 25 de Abril.  Gelado de Dolce de Leche.  Os ABRAÇOS k transbordam a alma.  O microfone. Quando os meus alunos "Conseguem".  Andar de mão dada. Cócegas.  "AMO-TE".  Petiscadas.  A atracção.  Ilha deserta.  Sentir a minha filha dentro de mim.  Dançar.  Pasteis de Nata.  O carinho de ex-alunos. O silêncio.  O céu estrelado de uma noite quente no Alentejo.  As minis à varanda, a ver o mar. DREAM TEAM FOREVER.  O carinho da família.  Banho de mar "em pêlo".  As bolachas da mana.  A fogueira da Praia Verde.  Ver a minha filha aprender algo novo. Porto Novo.  Rir até chorar. Serra de Sintra.  Os primeiros passinhos.  Ver raios de sol "furarem" o céu nublado.  AMIG@S.  Ouvir o bater do coração.  Olhar nos olhos.  Vimeiro.  Uma massagem.  Cheirinho a casa limpa.  Golo de Portugal. O Guadiana.  Orgasmo.  Ver o pôr-do-sol sabendo k ele nasce noutro sítio ao mesmo tempo.  Amamentar.  O céu azul.  Noite quente à beira Tejo.  Papoilas.  Cheiro a maresia.  Sardinhas assadas.  Alcançar.  O brilho do sol reflectido na água.  Gaivotas.  Fazer amor na praia.  O cheirinho k fica na roupa dela .  Acordar.  Fazer "Koys" enroscadinha a ela debaixo do edredon.  Cataplana de Lagosta.  A minha filha bébé adormecer sobre o meu peito enkto mexia na mha orelha.  Lua Cheia.  Panquecas às 3 da manhã.  O Cristo Rei.  O cheiro da pele depois de fazer amor.  A casca do pessego.  A "minha" estrela.  O toke. Pistacios.  Correr com ela na praia.  As boas conversas.  Girassóis.  Concertos dos Bon Jovi. Chorar até tirar o peso do peito.  Cantar.  Coca-cola.  Rezar.  Guincho. Todas as "Good Nights".  Margarita de morango a meio da tarde na esplanada do Siesta.  Frio na barriga. Orgulho.   Dormir numa cama feita de lavado.  Beijo com língua.  Golo do Benfica.  Uma garrafa de Grandjó geladinha.  A primavera no Alentejo.  Lareira.  Póvoa Dão.  Voar.  A carta certa num jogo de Poker.  Jantar à luz das velas.  Caracóis.  Ganhar no último minuto.  Uma viola, uns acordes e amigos. Beijos no pescoço.  O 1º "Mamã".  Ver a balança a baixar.  Um cigarro ao luar.  Cheirar protector solar no Inverno.  Bolas de sabão. Fazer mergulho.  Trovoada de Verão numa noite à beira mar.  O 1º beijo.  Banho de espuma e pétalas, música certa e luz de velas. Dormir a sesta.  Lisboa à noite vista do ar.  Ramos de rosas.  Ferreira.  O sabor da água salgada na pele.  Ouvi.la cantar a plenos pulmões quando vai à pendura na mota. O vôo da cegonha.  Os jogos em "Miami Beach".  APRENDER.

 

 

 

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