Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Just like a gipsy

Assim meio de raspão apanhei uma reportagem com direito a mini-debate no Jornal da Noite da Sic (eu nunca sei o nome do noticiário de cada estação - telejornal, jornal da noite, jornal das 8...whatever) sobre o povo cigano e a discriminação que é alvo.

Ora, uma vez que corria o risco de ficar aqui um montão de tempo a escrever para argumentar e refutar as coisas que ouvi, resolvi ser muito sintética até pk me doem as costas, tenho sono e, escreva o que escrever, estarei sempre a ser politicamente incorrecta e corro sérios riscos de receber comentários injuriosos.

Eu n me considero uma gaja politicamente à direita mas também não me posso considerar uma gaja de esquerda. Politicamente eu sou pela justiça e honra e, essas 2 coisas devem ser incompatíveis na política porque, à semelhança do que acontece com a minha relação com a religião, eu ainda não encontrei um sítio onde me encaixasse perfeitamente.

Este ponto é importante frisar para que o que vem a seguir possa ser interpretado como uma opinião duma gaja parva que não sabe o que diz/escreve e que foi bafejada na sua existência com a possibilidade de ter um blog e opinar sobre aquilo que bem lhe apetece.

Assim sendo, gostava de dizer que, infelizmente há ciganos que são discriminados injustamente. Segregados por uma sociedade que, imediatamente os associa a todas as coisas negativas que a sua raça representa. Mas... também há mulheres discriminadas, deficientes motores discriminados, negros descriminados, gays e lésbicas discriminados e podia continuar aqui noite dentro a citar exemplos de discriminação.

No entanto, as imagens que vi e aquilo que ouvi, pouco ou nada me fez pensar nas palavras: injustamente discriminados.

O meu contacto com a comunidade cigana acentuou-se no último ano. Já tinha convivido com a realidade cigana quando trabalhei no Alentejo (também eles apareceram na reportagem pk lhes construiram um muro de betão à volta do acampamento).  Existem diferenças consideráveis entre as comunidades no Alentejo e as de Lisboa / Amadora com quem convivo mais de perto, actualmente.

No Alentejo, as comunidades ainda são (ligeiramente) nómadas e são mais "rurais" preferindo durante a Primavera e o Verão montar uma tenda no terreiro a dormir na casa, com paredes e tecto que possuem no fundo da mesma rua.

Hoje, ao ouvir tudo aquilo e, na sequência da crise actual que a França enfrentou junto da Comunidade Europeia devido à decisão de expulsar os ciganos ilegais que, vindos da Roménia,  estavam a tomar de assalto o país das baguetes, só pensava uma coisa:

 

Coloquem os ciganos a viver no prédio de quem os defende tanto.

Coloquem os filhos dos ciganos na mesma turma que o filho dos deputados e autarcas que defendem tanto a integração da raça cigana.

 

Admiro a raça cigana pela forma como resiste a tudo e todos, fazendo valer as suas tradições e os seus costumes mas não me venham com tretas, os ciganos que são discriminados, não são aqueles que vivem de acordo com as regras que toda uma sociedade se rege.

No ano passado tive um turma de currículos alternativos, constituída essencialmente por alunos ciganos. Terminei o ano a dar aula a 2 alunas (as únicas que não eram de etnia cigana). O comportamento destes alunos quando vão às aulas (e sabe Deus que isso é uma coisa rara) é completamente surreal. Alunos com subsídio escolar com direito a alimentação que por vezes chegam a ter a lata de só ir à escola almoçar e mais nada porque a seguir as meninas têm que ir fazer madeixas. Alunos que aparecem na escola sem nenhum material. Nem um lápis, nem uma caneta, nem um caderno...nada!!

Encarregados de Educação que espancam e ameaçam de morte professores por eles cumprirem as suas funções e as regras definidas pela escola.

Casas dadas de mão beijada onde moram sem pagar renda, sem pagar água, sem pagar luz e que ainda se dão ao luxo de destruir quando querem novas habitações.

Gente que vive do rendimento mínimo e que não cumpre nem respeita nenhuma convenção da sociedade que lhes dá de comer.

Certa vez fui visitar o meu sobrinho ao Hospital de Sta Maria, durante um internamento.  Não me deixaram entrar com o carro. Dei a volta e estacionei-o a uns 2 Kms da entrada do Hospital que já de si é grande. Quando entrei havia um acampamento cigano dentro do Hospital com direito a Ford Transits, toldos, mesas e, pelo que me contaram, fogueirinha à noite. 2 pessoas podiam ver o meu sobrinho em simultâneo durante akela horinha em k muitos de nós lhe queríamos dar um abraço e um beijo. O kuarto da criança cigana parecia uma festa de aniversário numa salinha de condomínio a abarrotar.

Epahh são tantas que não saía daqui o resto da noite.

 

Não se trata de xenofobia. Não se trata de racismo. Trata-se de justiça.

Justiça para comigo e para com todos os ciganos que trabalham, cumprem as regras, pagam impostos e contribuem para uma sociedade melhor.

Justiça para com todas as pessoas que não roubam, não agridem verbal ou fisicamente ninguém, não intimidam, respeitam a sua vez, não destroem equipamentos sociais, pagam renda pela sua casa ou compraram-na com o seu dinheiro e aproveitam as oportunidades que lhes são dadas fazendo valer assim o seu desejo de integração.

 

E pronto... tenho sono e estou cansada porque isto daria pano para muitas mangas.

 

 

 

PS - Não vou reler e isto deve ter muitos erros ortográficos para além do estrunfês habitual. As minhas desculpas.

 

 

Estrunfina às 23:05
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3 comentários:
De Saltita a 22 de Setembro de 2010 às 19:10
TOTALMENTE DE ACORDO!!! I Não tenho pena de pessoas que só seguem regras quando pretendem tirar proveito do estado social, mas não as cumprem para a salutar convivência com os outros.


De Estrunfina a 22 de Setembro de 2010 às 21:48
Aqui não está em causa a nossa simpatia ou a nossa pena. Aqui está está em causa milhares de euros tirados dos impostos que eu, tu e muita malta trabalhadora paga. E isso é k me lixa com F


De Hugo S. a 22 de Setembro de 2010 às 20:38
Como em todo o lado, há os bons e os maus, e por uns pagam outros. A ideia que tenho é a de que a generalidade dos ciganos se está lixando para o resto da sociedade, como tal, concordo inteiramente com o post.


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Aldeia dos Estrunfes

O Divino em MIM

 

A MINHA FILHA.  O calor do sol a keimar o corpo num dia de praia. Um mergulho de mar ao luar.  Os sorrisos.  Morangoska granizada. Akela música, no momento certo.  Andar descalça sobre a relva.  O cheiro da terra molhada.  Dream Team Forever Marés vivas num dia de Inverno.  O nascer de um novo dia.   Akele olhar.  Chamusca.  Pego Escuro. Correr na praia e espantar as gaivotas.  Um sussurro k faz bater forte o coração.  O suspiro da minha filha kdo dorme.  A saudade. Gargalhadas.  A gargalhada dela.  Licores.  Avistar Lisboa da Ponte 25 de Abril.  Gelado de Dolce de Leche.  Os ABRAÇOS k transbordam a alma.  O microfone. Quando os meus alunos "Conseguem".  Andar de mão dada. Cócegas.  "AMO-TE".  Petiscadas.  A atracção.  Ilha deserta.  Sentir a minha filha dentro de mim.  Dançar.  Pasteis de Nata.  O carinho de ex-alunos. O silêncio.  O céu estrelado de uma noite quente no Alentejo.  As minis à varanda, a ver o mar. DREAM TEAM FOREVER.  O carinho da família.  Banho de mar "em pêlo".  As bolachas da mana.  A fogueira da Praia Verde.  Ver a minha filha aprender algo novo. Porto Novo.  Rir até chorar. Serra de Sintra.  Os primeiros passinhos.  Ver raios de sol "furarem" o céu nublado.  AMIG@S.  Ouvir o bater do coração.  Olhar nos olhos.  Vimeiro.  Uma massagem.  Cheirinho a casa limpa.  Golo de Portugal. O Guadiana.  Orgasmo.  Ver o pôr-do-sol sabendo k ele nasce noutro sítio ao mesmo tempo.  Amamentar.  O céu azul.  Noite quente à beira Tejo.  Papoilas.  Cheiro a maresia.  Sardinhas assadas.  Alcançar.  O brilho do sol reflectido na água.  Gaivotas.  Fazer amor na praia.  O cheirinho k fica na roupa dela .  Acordar.  Fazer "Koys" enroscadinha a ela debaixo do edredon.  Cataplana de Lagosta.  A minha filha bébé adormecer sobre o meu peito enkto mexia na mha orelha.  Lua Cheia.  Panquecas às 3 da manhã.  O Cristo Rei.  O cheiro da pele depois de fazer amor.  A casca do pessego.  A "minha" estrela.  O toke. Pistacios.  Correr com ela na praia.  As boas conversas.  Girassóis.  Concertos dos Bon Jovi. Chorar até tirar o peso do peito.  Cantar.  Coca-cola.  Rezar.  Guincho. Todas as "Good Nights".  Margarita de morango a meio da tarde na esplanada do Siesta.  Frio na barriga. Orgulho.   Dormir numa cama feita de lavado.  Beijo com língua.  Golo do Benfica.  Uma garrafa de Grandjó geladinha.  A primavera no Alentejo.  Lareira.  Póvoa Dão.  Voar.  A carta certa num jogo de Poker.  Jantar à luz das velas.  Caracóis.  Ganhar no último minuto.  Uma viola, uns acordes e amigos. Beijos no pescoço.  O 1º "Mamã".  Ver a balança a baixar.  Um cigarro ao luar.  Cheirar protector solar no Inverno.  Bolas de sabão. Fazer mergulho.  Trovoada de Verão numa noite à beira mar.  O 1º beijo.  Banho de espuma e pétalas, música certa e luz de velas. Dormir a sesta.  Lisboa à noite vista do ar.  Ramos de rosas.  Ferreira.  O sabor da água salgada na pele.  Ouvi.la cantar a plenos pulmões quando vai à pendura na mota. O vôo da cegonha.  Os jogos em "Miami Beach".  APRENDER.

 

 

 

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